VIOLÊNCIA DIGITAL
Como remover foto íntima vazada da internet rapidamente, sem precisar de decisão judicial
Novas regras agilizam a remoção de conteúdo íntimo divulgado sem consentimento.
Publicado em
26/08/2026 às 12:04
Atualizado em
A exposição não consensual de conteúdo íntimo é uma forma grave de violência digital. Desde julho de 2026, novas regras estabelecem procedimentos específicos para facilitar a retirada desse tipo de material da internet, sem que a vítima precise aguardar uma decisão judicial para fazer a solicitação diretamente à plataforma. (Serviços e Informações do Brasil)
A mudança foi estabelecida pelo Decreto nº 12.976/2026, assinado em 20 de maio e publicado no Diário Oficial da União em 21 de maio. A norma entrou em vigor em 20 de julho e estabelece diretrizes para a proteção de mulheres e o enfrentamento da violência contra elas no ambiente digital. (Presidência da República)
Entre as situações abrangidas está a divulgação não autorizada de conteúdo íntimo. O decreto também considera conteúdo íntimo aquele produzido ou manipulado, total ou parcialmente, por inteligência artificial, incluindo imagens falsas de caráter íntimo. (Biblioteca Digital MJ)
Prazos para retirada
Após receber uma notificação válida, a plataforma deve seguir os prazos previstos na norma. Para conteúdo íntimo gerado por terceiros, inclusive material produzido ou manipulado por inteligência artificial, o prazo é de até duas horas para a indisponibilização.
Nos casos de conteúdo manifestamente ilegal que configure crimes ou atos ilícitos previstos no decreto, o prazo é de até seis horas. Para os demais casos de violência contra a mulher no ambiente digital, a previsão é de até 24 horas. (Serviços e Informações do Brasil)
O decreto também prevê que, depois da remoção, sejam adotadas medidas para evitar a continuidade da circulação do conteúdo e determina mecanismos de preservação de informações que possam auxiliar na identificação da autoria e na apuração dos fatos. (Presidência da República)
O que fazer em caso de vazamento
A orientação é preservar as evidências antes de qualquer tentativa de remoção. A vítima pode registrar capturas de tela da publicação, do perfil responsável, de comentários e de mensagens relacionadas ao caso, além de guardar o endereço da página e outras informações disponíveis.
Em seguida, é possível utilizar o canal de denúncia disponibilizado pela própria plataforma e solicitar a retirada do conteúdo. A notificação pode ser feita pela vítima ou por representante autorizado, conforme as regras estabelecidas pelo decreto.
Também é importante buscar orientação das autoridades competentes e registrar a ocorrência, especialmente quando houver indícios de crimes, ameaças ou outras formas de violência.
O Ligue 180 oferece atendimento gratuito, anônimo e 24 horas por dia para mulheres vítimas de violência ou pessoas que buscam orientação. Em situações de emergência, a orientação oficial é acionar a Polícia Militar pelo 190. (Serviços e Informações do Brasil)
As novas regras representam uma tentativa de tornar a resposta à violência digital mais rápida, priorizando a preservação das provas, a proteção da privacidade e a redução dos danos causados pela circulação não autorizada de conteúdo íntimo.
A retirada rápida não apaga necessariamente todos os registros ou consequências da divulgação, mas pode ajudar a interromper a circulação do material e reduzir sua disseminação.
Fonte: Portal da Cidade Santa Terezinha de Itaipu
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